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A Peggada foi conhecer o Impact Beach House, o hostel que nasceu para acolher voluntários de todo o mundo, mas que se tornou também naquele que, arriscamos dizer, é o hostel mais sustentável do país. Explicamos porquê nesta reportagem.
A história começa muito antes daesta casa existir.
Quando viajava pelo Sudeste Asiático, Rita Marques descobriu o poder transformador do voluntariado. Percebeu que esta era uma das formas mais autênticas de conhecer um destino, mas também constatou uma realidade menos inspiradora: muitos dos projetos de voluntariado existentes pouco contribuíam para as comunidades locais.
Ao regressar a Portugal, decidiu criar uma alternativa. Faltava-lhe, no entanto, alguém que complementasse a sua visão e fosse o match para casar com a sua formação em gestão. Podia haver uma história mais romântica por detrás, mas foi mesmo no Linkedin que encontrou Diogo Areosa, a trabalhar na altura em turismo de massa. Os dois estavam cansados de trabalhos corporativos e juntos começaram aquilo que os move até hoje: trabalhar numa causa com impacto.
Ao contrário de muitos programas de voluntariado que apresentam soluções pré-definidas, a Impactrip começou por fazer o caminho inverso.
Os fundadores bateram literalmente à porta de associações e organizações para perceber quais eram as suas necessidades reais. “Isso para nós é essencial. Perceber o que é realmente necessário”, explica Diogo à Peggada.
Hoje, a organização trabalha com dezenas de projetos em Portugal e noutros países europeus, em áreas tão diversas como conservação de lobos, proteção animal, aproveitamento de alimentos, mergulho ou educação para a sustentabilidade.
O objetivo é simples: criar o encontro certo entre as necessidades das organizações e os interesses dos voluntários. “Fazemos puro match.”
Mas o voluntariado, defendem, vai muito além da tarefa específica que leva alguém a participar. “Se um voluntário vem para um projeto de cuidado de animais, não vem apenas limpar casotas. Vem aprender sobre ação climática, sustentabilidade e impacto. Há pessoas que chegam aqui sem saber fazer reciclagem”, refere Rita.
Esta conversa acontece no jardim do hostel que entretanto abriram no Estoril, para albergar os voluntários que chegam a Portugal. Com quartos privados, camaratas e imensas áreas comuns, o Impact Beach House é, na verdade, o terceiro espaço criado pela iniciativa, que começou com uma casa em Lisboa e se mudou para a praia, num projeto criado de raiz para ser um exemplo de sustentabilidade.
A economia circular é quem manda e o resultado é um espaço onde praticamente tudo teve uma vida anterior. As camas foram recuperadas de hostels que encerraram atividade. Muitos dos móveis foram construídos por carpinteiros locais a partir de desperdícios de madeira. Os colchões vieram de exemplares de exposição que as marcas já não podiam comercializar.
Até os lençóis contam uma história de reaproveitamento. Produzidos por uma associação local, nasceram a partir de tecidos com pequenos defeitos e excedentes da indústria têxtil.
Os detalhes sustentáveis estão por todo o lado.
Fazem reciclagem, compostagem, têm parceria com a Refood e não vendem água engarrafada nem Coca-Cola, como explica Rita, quase como uma tomada de posição contra uma das empresas mais poluidoras do mundo. Em vez disso, têm cerveja, sidra e vinho de marcas mais pequenas e sempre portuguesas.
São ponto de recolha de resíduos eletrónicos e têm um Swap Spot, um ponto de troca de bens como roupa e acessórios, mas também jogos e livros.
Mesmo assim, a equipa acredita que há sempre espaço para melhorar.
Uma das questões atualmente em análise é como reaproveitar a água utilizada na lavagem dos fatos de surf. Outra preocupação passa por reduzir o impacto das viagens dos voluntários, e até já oferecem a utilização de bicicletas durante a estadia a quem compensar a sua viagem até Portugal.
A Impact Beach House é hoje reconhecida como uma das empresas B Corp mais bem classificadas em Portugal. Mas para os seus fundadores, os números são apenas uma consequência. ” O mais importante é provar que existem alternativas viáveis”, diz Diogo. E Rita acrescenta: “Somos uns ativistas mais certinhos. Em vez de estarmos na rua a protestar, a nossa estratégia passa por demonstrar, na prática, que é possível construir um modelo diferente”. E é mesmo.

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