COP, IPCC, UNEP, WMO. A ação climática tem muitas siglas e hoje vamos falar-te mais dobre aquela que não é mais do que a reunião de cientistas de todo o mundo para tratarem de questões ligadas à ciência climática: a IPCC.
As negociações climáticas são um mundo cheio de siglas. “IPCC” é uma delas e um das que mais vezes vais ver surgir durante a COP 27, que está prestes a arrancar.
Vamos então esclarecer do que falamos quando vemos as as letras IPCC juntas. Refere-se ao Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (Intergovernmental Pannel on Climate Change, em inglês), a base científica que ajuda a definir o rumo das negociações.
O IPCC é o organismo das Nações Unidas que reúne cientistas de todo o mundo para tratar questões no âmbito da ciência climática. Criado em 1988 pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP) e pela Organização Meteorológica Mundial (WMO) com o objectivo de criar relatórios abrangentes, regulares e transparentes sobre os mais recentes dados científicos sobre alterações climáticas.
O IPCC é ainda responsável pela criação de relatórios focados na criação de cenários hipotéticos correspondentes a diferentes graus de aquecimento do planeta aos quais correspondem diferentes graus de ambição política. Este tipo de pesquisa deveria prevenir os líderes mundiais dos efeitos do tipo de ação climática que escolhem implementar.
O IPCC surge com a função de criar conhecimento científico actualizado e de alta qualidade que possa ser utilizado por líderes nas decisões que tomam, sendo que o Painel em si não pretende ter uma abordagem abertamente prescritiva. Isso significa que, mesmo após três décadas de trabalho, os dados científicos apresentados têm sido ignorados pela maior parte dos líderes. António Guterres, Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas, tem alertado diversas vezes para as consequências da inacção face aos dados fornecidos pela comunidade científica do IPCC, afirmando inclusive que o “relatório do IPCC é um atlas do sofrimento humano e uma prova do fracasso da liderança sobre o clima”.
Por fomentar há mais de três décadas a criação de dados científicos que catapultem uma acção climática mais ambiciosa o IPCC tem vindo a receber inúmeros prémios. Em 2007, em conjunto com o ex-vice-presidente americano Al-Gore, recebeu o Prémio Nobel da Paz. No mês passado foi ainda distinguido pela Fundação Calouste Gulbenkian com o Prémio Gulbenkian para a Humanidade, tendo o júri salientado que esta edição do prémio celebrou o papel da ciência na luta contra as alterações climáticas, afirmando que a “evidência baseada na ciência tem sido fundamental não só para o avanço de muitas ações políticas e públicas,
mas também para a necessidade de colocar um ‘caráter de urgência’ na forma como, em
termos de agenda política, é abordada a questão do combate à crise climática”.
O IPCC marcará presença na COP a começar na próxima semana com um conjunto de eventos dedicados ao lugar da ciência na acção climática. Podes saber mais sobre esta parte do evento aqui.
A Leonor (mais conhecida como Nônô) herdou do avô paterno, que levava sementes nas algibeiras para as plantar quando fosse oportuno, o gosto pela natureza. Fundou o Núcleo Ambientalista da Universidade onde se licenciou, esteve envolvida em movimentos de desobediência civil pela justiça climática e estudou em Londres onde provou o melhor hambúrguer vegetariano que conhece até à data. Seguiu o mestrado de Ciência Política e Relações Internacionais por ser uma área que considera decisiva para criar um paradigma de justiça climática. Passou por Paris para aprofundar os seus conhecimentos em sustentabilidade e mais tarde escrever uma tese na mesma área. Orgulhosa dos seus vasos de hortelã e manjericão, leitora assídua, fã de tardes passadas à volta da mesa, apologista da simplicidade. Desconfia que seria feliz com uma horta e uma profissão associada à sustentabilidade e direitos humanos.
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